Diferente do que é normalmente postado nesse espaço, trago, hoje, uma visão mais teórica e subjetiva. Assisti, essa manhã, ao Seminário ANJ: Democracia e Jornalismo na Era Digital. O evento, de nível altíssimo, me fez resgatar uma pesquisa que desenvolvi no semestre passado, sobre o Uso das Redes Sociais na Política.
As participações de Sílvio Waisbord, Carlos Muller, Eduardo Pellanda, Rosane de Oliveira, Celso Schroder e Nelson Ferrão demonstraram o poder do jornalismo na sociedade democrática e a importância da discussão do tema que é a era digital. Para a sorte de quem não esteve no auditório da Famecos, as apresentações estão disponíveis no site Eu Sou Famecos.
Uma parte, que julgo importante, da minha pesquisa, segue:
“Com essas oportunidades e possibilidades, os cargos da política brasileira são disputados de forma ferrenha em 2010. Detemo-nos a corrida presidencial, que conta a presença de Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), como principais candidatos. Com o surgimento da nova legislação (Lei 12.034/09), os direitos e deveres do cidadão foram delimitados na internet, durante as campanhas eleitorais. A alteração na legislação brasileira aprova o uso das redes sociais e das mensagens instantâneas, desde que esse conteúdo seja gerado ou editado pelos candidatos, partidos ou coligações. A normativa prevê, ainda, a utilização de e-mails como forma de propaganda eleitoral gratuita. Mesmo assim e com isso, o potencial decisório do marketing digital foi percebido pelos políticos, fazendo com que eles utilizem dessa novidade: a tecnologia hipermidiática.
As coordenações de campanha já estabeleceram o núcleo de internet, contando com renomados entendidos no assunto. A experiência norte-americana, que resultou na eleição de Barack Obama, vai ser aplicada aqui no Brasil através de base de dados dos simpatizantes e muita informação em áudio e vídeo. A prova desse interesse brasileiro, está no acordo firmado entre a candidata petista, Dilma Roussef, e os diretores online do então presidente dos Estados Unidos. Scott Goodstein e Ben Self trataram de assumir a responsabilidade do controle das mídias sociais e dos celulares.
Qualquer que seja a mensagem abordada, ela está conectada com outras mensagens, com comentários, com gloses em constante evolução, com pessoas que se interessam por elas, com os fóruns onde são debatidas, aqui e agora. Qualquer texto é o fragmento que se ignora talvez do hipertexto móvel que o envelopa, que o conecta com outros textos e serve como mediador ou meio para uma comunicação recíproca, interativa, ininterrupta. (Piérre Levy)
Vencer a batalha digital, através de meios como blogs, Twitter, Orkut e Facebook, é uma importante ferramenta para conquistar o cargo de Presidente da República Federativa do Brasil. E o uso dessas mídias implica uma economia financeira, já que custam menos que as mídias tradicionais, e um enriquecimento no alcance dos públicos, com o acesso as classes C e D inseridas no mundo digital, para além dos jovens eleitores. As novas gerações, habituadas à vida online, tem a internet como referência inicial na tomada de decisões. Os mais velhos também estão nesse público virtual: descobriram a rede e a utilizam assim como os novatos. É o surgimento da cultura da democracia, já que milhões podem postar informações e participar da campanha, número impossível se a world wide web não existisse. Vale lembrar que as redes sociais devem ser entendidas como processo que elegem e derrubam!
A cada minuto que passa, novas pessoas assinam a Internet, novos computadores se interconectam, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se estende, mais universal se torna, menos totalizável o mundo informacional se torna. (Piérre Levy)
O Twitter, por exemplo, é um canal convidativo ao debate, mas bloqueia o aprofundamento de ideias. Por isso mesmo, é fácil angariar fiéis seguidores e potenciais cabos eleitorais. Explicitar opiniões em 140 caracteres conquista seguidores (e eleitores) se for utilizada a linguagem correta. Caso essa forma de contato de sucesso não seja utilizada de forma acertiva, pode representar um grande risco aos candidatos. É preciso que os políticos se deem conta que as mídias sociais dão poder, também, ao receptor. Aqui, todos são atores. Além disso, as redes sociais transformaram a vida em um código aberto. Todos sabem de todos, que circulam (ou navegam) nesse meio.
Virtualmente, todas as mensagens mergulham num banho comunicacional borbulhante de vida, incluindo as próprias pessoas, e do qual o ciberespaço vai progressivamente sendo o coração. (Piérre Levy)”
Referenciais teóricos:
Castells, Manuel. A GALÁXIA INTERNET: REFLEXÕES SOBRE INTERNET, NEGÓCIOS E SOCIEDADE. Lisboa, 2004.
Gosciola, Vicente. ROTEIRO PARA AS NOVAS MÍDIAS. São Paulo, 2004. (artigo publicado pelo autor como requisito de participação no XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação)
Levy, Piérre. O UNIVERSAL SEM TOTALIDADE, ESSÊNCIA DA CYBERCULTURA. (artigo publicado pela FACED – Universidade Federal da Bahia no link http://www.faced.ufba.br/~pretto/Biblioteca%20Digital/Levy/ouniversalsem.html)

